A “peste freudiana” e a Graduação em psicanálise

Graduação em psicanálise, mais um produto a ser consumido. No mundo neo-liberal, o objeto a ser consumido é o que menos importa, o que está em jogo é o lucro. O homem contemporâneo sabe o que é consumir e está numa relação na qual parece ter sido engolido pelo consumo e pelo gozo, não constituindo essa separação que lhe permite sustentar um desejo. O mercado ao lançar a psicanálise como objeto, fica escancarado o desconhecimento da especificidade da ciência criada por Freud. Um pensamento radicalmente novo: o sujeito é divido, a razão não controla as nossas ações, somos marcados pelo desejo. A revolução copérnica, segundo Lacan, o inconsciente pensa, desaloja a consciência do seu lugar de centro, o que implica a alteração do privilégio dos pensamentos conscientes.

Além de inaugurar uma nova concepção de relação entre o analista-analisando, a psicanálise cria um novo tipo de laço social para a formação dos analistas. O sujeito se constitui a partir da falta, de um furo, do objeto que é perdido. A formação do analista segue a mesma lógica, ela é singular e parte da ausência de um saber preestabelecido. A falta de um saber totalizador possibilita que cada um elabore algo pessoal a partir de seu laço, que diz do seu desejo e de sua relação com a causa analítica.

 

Uma análise promove torções na posição subjetiva, sem consequências subjetivas, o sujeito não acessa o pensamento radicalmente novo de Freud. A proposta de um curso de graduação em psicanálise vai na contramão da formação do analista, esta última exige mais do que o mero estudo de uma teoria, requer uma mudança subjetiva, um reposicionamento em relação ao saber. Não se trata de seguir uma norma, as disciplinas do curso, mas de reconhecer a verdade singular. Para a psicanálise, essa mudança de posição não é nada pacífica, a tensão é um elemento que não está subtraído do jogo. O sujeito precisa trabalhar com a suas questões, suas dificuldades, dar um encaminhamento para as suas impossibilidades. A “peste freudiana” é um vírus que subverte a ordem, provoca torções subjetivas, leva a saída de um mundo prêt-à-porter, padronizado, para um mundo que requer a invenção de um estilo próprio, único.

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