Análise do filme “Up! Altas aventuras” com base na TCC

Finalmente Carl chega no Paraíso das Cachoeiras! Mas não é como ele imaginava: ele não se sente tão feliz e realizado como esperou. Provavelmente ele tinha crenças como “se eu chegar no Paraíso das Cachoeiras, serei feliz como era com Ellie”

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No início do filme, é contada um pouco da infância de Carl: ele era um menino apaixonado por aventuras, seu ídolo era Charlie Muntz. Por isso, quando Carl, ainda criança, conhece Ellie, não é difícil de ambos se tornarem grandes amigos e se apaixonarem intensamente, de forma que crescem juntos e, quando adultos, se casam e se tornam uma família muito feliz!

Os familiares de Ellie e de Carl são bem diferentes, como foi retratado no casamento do casal. Enquanto a família de Ellie se mostra alegre e espontânea, a família de Carl parece ser composta por pessoas mais sérias e reservadas. É provável que este fator tenha sido um ambiente determinante para Carl se desenvolver enquanto uma pessoa mais quieta, tímida e reservada. Quando ele conhece Ellie, se apaixona, pois ela é seu oposto: alegre, espontânea e cheia de sonhos. É provável que Carl nunca tivesse conhecido alguém assim tão de perto. Por isso, ele se apega tanto a ela e, quando Ellie morre, tem tanta dificuldade de aceitar e seguir em frente.

Durante a vida do casal, eles não conseguiram ter filhos já que Ellie tinha algum problema de fertilidade. Então, decidiram investir num sonho de infância: viver aventuras no Paraíso das Cachoeiras! Começaram a juntas dinheiro para isso, mas imprevistos e urgências foram surgindo e tiveram que gastar o dinheiro. Com o tempo, conforme foram envelhecendo, o sonho de irem para o Paraíso das Cachoeiras foi ficando de lado. Ellie faleceu e o sonho não foi vivido, mas o casal teve uma vida simples, feliz e apaixonada.

Com a morte da esposa, Carl fica triste e bravo. Ele não fez o processo de luto da esposa, oscilando sempre entre períodos de negação e depressão pelo falecimento de Ellie. As coisas a sua volta mudaram, Ellie não está mais presente, mas ele se mantém apegado ao passado, abrindo mão do presente e do futuro (exemplo disso é quando se nega a vender sua casa por muito dinheiro porque a casa é o que restou da vida com Ellie).

Então, um novo personagem aparece: Russerll. Este é um menino, ainda criança, inseguro, mas cheio de expectativas, sonhos, coragem e esperança. Ele é gentil, ingênuo e quer se aventurar. Está buscando ajudar um idoso para ganhar seu distintivo de Grande Aventureiro, o que ele acredita que fará com que seu pai lhe dê mais atenção e amor.

Enquanto isso, Carl agride um pessoa que mexe com suas memórias da Ellie e, por questões judiciais, é convidado a se mudar para uma casa de repouso. No entanto, Carl não se sente preparado para abrir mão da sua casa e de todos os outros objetos que o lembram sua esposa. Logo, decide fugir para o Paraíso das Cachoeiras, mesmo que de forma perigosa (com balões fazendo sua casa flutuar). O que ele não sabia era que Russerll estava na varanda da sua casa quando ele pôs seu plano em ação, de forma que o garoto acabou indo junto. Logo, ambos viajam juntos até o Paraíso das Cachoeiras.

No começo da viagem, eles se deparam com uma tempestade que coloca a vida dos dois em perigo. Mas Carl não tenta se salvar nem salvar Russerll, e sim salvar sua casa e todos os objetos dentro que o lembram sua esposa. É provável que ele tenha crenças como, por exemplo, “nunca serei feliz como fui com Ellie”, “não aceito que a Ellie se foi”, “se eu manter a salvo os objetos que me lembram de Ellie, ela continuará ‘viva’”.

No entanto, vemos que as crenças e comportamentos de Carl vão sofrendo pequenas mudanças conforme ele convive mais com Russerll e outros personagens que aparecem: Doug e Kevin. Provavelmente, suas experiências colocam suas crenças à prova e ele percebe como estas crenças não tem validade nem utilidade, e que ele e outras pessoas serão mais felizes se Carl conseguir fazer o luto da esposa e buscar novas experiências.

Então, um novo personagem é introduzido: Charlie Muntz, o ídolo de Carl! Este, que sempre foi admirado por Carl como uma pessoa aventureira e inteligente, agora se mostra de outra forma. Muntz sofreu muito quando mais novo: no seu momento de glória, foi chamado de fraude, desacreditado e humilhado na frente da comunidade científica. Isso o decepcionou a ponto de ficar obcecado e disposto a fazer de tudo para recuperar sua honra. É provável que ele tenha crenças do tipo: “se as pessoas não acreditam em mim, então eu não tenho valor. Logo, se eu mostrar minha honra, terei valor”. A partir disso, Charlie dedica sua vida toda para buscar o animal que disse para a comunidade científica que existe, mas que foi desacreditado. Para isso, tira a vida de pessoas e arrisca muito a sua própria.

A criatura tão procurada por Muntz é Kevin, uma ave exótica que se tornou grande amiga de Russerll e Carl. Numa cena, Muntz incendeia a casa de Carl para distraí-lo e conseguir capturar Kevin. Carl, que ainda não está preparado para abrir mão das memórias de Ellie, permite que sua amiga seja capturada, dando prioridade para salvar sua casa. Esta cena mostra que, por mais que Carl, que estava chegando na etapa de aceitação do luto, volta para o momento de negação da morte de Ellie. Quando isso acontece, Russerll se decepciona com Carl, mas este, irritado, nega sua parcela de responsabilidade, além de culpabilizar e acusar seu amigo, Doug, o cachorro falante.

Doug é um cachorro que, por meio de tecnologia avançada, consegue falar. É um dos muitos cachorros treinados por Muntz para capturar Kevin. No entanto, diferente dos outros cachorros, Doug é dócil e alegre, o que faz com que seja julgado pela manilha como um fracasso e uma aberração. Ao longo de toda a história, Doug faz grandes coisas, o que mostra que ser alegre e dócil não faz com que alguém seja ignorante, fracassado e uma aberração. O filme faz uma quebra de estereótipos sociais a partir deste personagem,

Em certo momento, Russerll expõe uma crença sua que serve de conselho/aprendizado para Carl: “as coisas entediantes são as que eu mais me lembro”. Ele fala isso insinuando que os momentos simples, entediantes foram os que mais o marcaram e são guardados no coração com muito carinho. Isso remete à história de Carl: nós, espectadores do filme, somos levados a ver que, por mais que Carl e Ellie não tenham viajado e se aventurado pelo Paraíso das Cachoeiras, eles tiveram uma vida simples, mas muito feliz! Cheia de momentos de carinho, parceria e risadas. Mas as distorções cognitivas de Carl não o permitem enxergar isso. Ele está fazendo uma abstração seletiva, focando somente no que não conseguiram, e não no que tiveram de bom.

Finalmente Carl chega no Paraíso das Cachoeiras! Mas não é como ele imaginava: ele não se sente tão feliz e realizado como esperou. Provavelmente ele tinha crenças como “se eu chegar no Paraíso das Cachoeiras, serei feliz como era com Ellie”. Além disso, há indícios de que Carl se sente culpado por não ter realizado o sonho de Ellie de ir para o Paraíso das Cachoeiras (“eu não fui capaz de realizar os sonhos de Ellie, preciso fazer isso por ela”). Ele pensava que isso era tudo que ela queria e que precisava fazer por ela. No entanto, quando chega lá, não é como esperou. Então, entra na sua casa e vê o livro que Ellie tinha desde criança: seu “Livro de Aventuras”. Ele folheia o livro, vê fotos dela e chega na página onde está escrito “aventuras que ainda viverei” (espaço reservado por ela para registrar suas aventuras no Paraíso das Cachoeiras). Carl se sente triste, pois se lembra que Ellie não viveu as aventuras que queria. Porém, vê que ela preencheu sim as próximas páginas com suas aventuras: estas foram os momentos do casamento com Carl! Neste momento, o personagem percebe que Ellie foi muito feliz com a vida que teve e não sentiu falta de ir para o Paraíso das Cachoeiras. Ela não precisou de grandes coisas pra ser feliz, mas o amor que ela e Carl compartilhavam foram suficientes. No final, ela deixa uma mensagem, junto de uma foto deles: “obrigada pela aventura! Agora vá viver a sua!”. Então, Carl percebe que a felicidade não está nas grandes coisas e no cumprimento de todos nossos planos, mas nos momentos simples com quem amamos.

Ele percebe que precisa seguir em frente! Ellie não gostaria que ele vivesse no passado. Percebe também que não há utilidade em manter pensamentos e comportamentos com a finalidade de manter o passado vivo, enquanto tantas coisas novas existem e outras pessoas precisam dele. Neste momento, Carl aceita o falecimento da esposa e vai atrás de ajudar seus novos amigos.

Para isso, ele abre mão de objetos que lembravam Ellie. Mais pra frente até abre mão de sua casa! Agora, ele está sente feliz, bem humorado, carinhoso e se importa com os novos amigos. Ele deixa o seu passado ir para poder viver mais no presente e investir no futuro. As consequências disso são que seus amigos podem viver, e novas vidas surgem: os filhotes de Kevin.

No final do filme, Russerll vai receber seu distintivo tão esperado (Grande Aventureiro!). Mas seu pai não lhe dá a atenção eo  amor como havia prometido. Porém, Carl está lá, dando o amor, atenção e reconhecimento que Russerll merece. Este final do filme mostra que Russerll deixou um pouco sua ingenuidade de lado: viu que a selva é selvagem, e que relações de sangue nem sempre são de tanto amor. Família é quem escolhemos.

Ao finalizar o filme, vemos o “Livro de Aventuras” de Ellie cheio de novas aventuras: momentos de amor e felicidade de Russerll, Doug e Carl.

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