Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise: De Freud a Lacan

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Descrição

Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise: De Freud a Lacan  aborda os termos de inconsciente, repetição,  pulsão e trasnferência desde a invenção de Freud até a formalização proposta por  Lacan. Nesse sentido, partimos dos textos metapsicológicos de Freud, articulando-os ao Seminário XI de Lacan.

O curso tem como objetivo reconstruir o percurso da construção dos conceitos e a articulação com a clínica psicanalítica, a clareza e os fundamentos conceituais bem embasados, aumenta a flexibilidade da clínica.

Módulo 1 –  O inconsciente: de Freud a Lacan

A Psicanálise se ocupa das formulações que escapam à consciência. Essas formulações referem-se àquilo que Freud (1915) denominou inconsciente. O autor mostrou que o psiquismo não é redutível à consciência e que existem conteúdos que só advêm à consciência se vencerem certas resistências. Importante ressaltar que o termo inconsciente, proposto por Freud, não se refere a uma negativa do consciente, nem a uma segunda consciência, mas a um lugar psíquico que contempla conteúdos, mecanismos e energias próprios.

A formulação do conceito de inconsciente na obra de Lacan passa por três grandes viradas, a ponto de se configurarem diferentes noções de inconsciente,  nomenclatura, disseminada amplamente na literatura psicanalítica: inconsciente linguageiro, inconsciente transferencial e inconsciente real.

Tropeço, desfalecimento, rachadura. Numa frase pronunciada, escrita, alguma coisa se estatela. Freud fica siderado por esses fenômenos, e é neles que vai procurar o inconsciente. Ali, alguma outra coisa quer se realizar – algo que aparece como intencional, certamente, mas de uma estranha temporalidade. O que se produz nessa hiância, no sentido pleno do termo produzir-se, se apresenta como um achado. É assim, de começo, que a exploração freudiana encontra o que se passa no inconsciente. (LACAN, 1964, p. 30).

Módulo 2 – Repetição : o que se repete?

O conceito de “repetição” está referido à inércia, àquilo que sempre retorna como “se fosse do nada”. O que o paciente repete, segundo Freud (1914/1987, p. 198), são as “suas inibições, suas atitudes inúteis e seus traços patológicos de caráter. […] Repete também todos os seus sintomas, no decurso do tratamento”. O traçado do conceito da repetição em Lacan segue o mesmo padrão do traçado do conceito de inconsciente, ou seja, pode ser classificado quanto à maior predominância dos registros imaginário, simbólico e real.

O que se repete, com efeito, é sempre algo que se produz – a expressão nos diz bastante sua relação com a tique – como por  acaso. É no que nós, analistas, não nos deixamos jamais tapear, por princípio. No mínimo, apontamos sempre que não é preciso nos deixarmos pegar quando o sujeito nos diz que aconteceu alguma coisa que, naquele dia, o impediu de realizar sua vontade, isto é, de vir à sessão.  Não há que tomar as coisas ao pé da declaração do sujeito – na medida em que aquilo com que precisamente temos de trabalhar é com esse tropeção, esse fisgamento, que reencontramos a todo instante. É este o modo de apreensão por excelência que comanda a nova decifragem que demos das relações do sujeito com o que faz sua condição. (LACAN, 1964, p. 56).

Módulo 3 –  Transferências – atualização da realidade do inconsciente

A transferência remete a estrutura de funcionamento do sujeito, como ele se relaciona com os outros. Freud inicia sua construção do conceito de transferência privilegiando sua dimensão de inércia, de resistência. Nos artigos dedicados a compor o que ficou conhecido como sua “metapsicologia”, Freud (1912) afirmou que a transferência pode ser considerada como uma reedição de conteúdos edípicos. Para trazer Lacan para esta discussão, privilegiarei três aspectos fundamentais para a compreensão das reformulações no conceito de transferência por ele introduzidas: as inversões dialéticas; a suposição de saber e a mobilização da energia sexual.

O que Freud nos indica, desde o primeiro tempo, é que a transferência é essencialmente resistente, Ubertragungswiderstand. A transferência é o meio pelo qual se interrompe a comunicação do inconsciente, pelo qual o inconsciente torna a se fechar.Longe de ser passagem de poderes ao inconsciente, a transferência é, ao contrário, seu fechamento. (LACAN, 1964, p. 125).

Módulo 4 – Pulsão –  realidade sexual do inconsciente

O conceito de pulsão foi reelaborado por Freud no decorrer de suas pesquisas acerca do tratamento psicanalítico. O termo Trieb aparece pela primeira vez no texto Projeto para uma psicologia científica (1895) para designar uma força propulsora, um impulso humano, marcado pela linguagem, em contraposição ao termo Instinkt, o qual seria uma predisposição herdada geneticamente, um impulso inato presente nos animais. A primeira teoria das pulsões é apresentada no texto Pulsões e seus destinos, no qual define que a pulsão está situada “na fronteira entre o mental e o somático” (FREUD, 1915, p. 142).

No Seminário XI, Lacan (1964/1998) trata a pulsão enquanto a “montagem pela qual a sexualidade participa da vida psíquica, de uma maneira que se deve conformar com a estrutura de hiância que é a do inconsciente” (LACAN, 1964/1998, p. 167). A pulsão constitui-se de forma dialética, de falta e busca de satisfação

A constância do impulso proíbe qualquer assimilação da pulsão a uma função biológica, a qual tem sempre um ritmo. A primeira coisa que diz Freud da pulsão é, se posso me exprimir assim, que ela não tem dia nem noite, não tem primavera nem outono, que ela não tem subida nem descida. É uma força constante. Seria preciso levar em conta igualmente os textos e a experência. (LACAN, 1964, p. 157).