Palestra: Os três paradigmas das psicoses de Lacan

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Com esse diálogo pincelarei três formas que Jacques Lacan encarou o enigma das psicoses. Difundindo a posição ética de que a psicanálise não pode recuar diante da psicose, Lacan inaugura sua entrada no meio psicanalítico pela via menos explorada até então. Para apreender os desdobramentos lacanianos em seu último ensino e acompanhar seus sucessores no desenvolvimento de uma Clínica do Real, pensei em fazer uma retomada de três tempos em seu percurso.

Começando pela sua tese de doutorado (1932), Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade, poderemos examinar como a psiquiatria influenciou sua primeira abordagem das psicoses e quais aspectos da obra freudiana Lacan destacou para embasar seu diagnóstico do Caso Aimée. Veremos como o próprio Lacan iniciou pela armadilha de uma explicação Imaginária das psicoses e quais foram suas autocríticas posteriormente. Mesmo se tratando de um escrito com uma perspectiva psiquiátrica, acho válido ressaltar as origens da perspectiva de Lacan sobre as psicoses e estudar seu manejo de um dos poucos casos clínicos, propriamente seus, registrados. 

Depois, com seu “retorno à Freud”, veremos como Lacan toma o Caso Schreber para desenvolver uma perspectiva das psicoses pautada na primazia do Simbólico. Além de formar toda uma teoria para abordar as psicoses, Lacan se aproveita de suas elaborações sobre o papel do significante na estruturação do sujeito para retomar a prevalência dada ao inconsciente na obra freudiana. Assim, ele se afasta da teoria psicanalítica predominante em sua época, aquela pautada no ego, e se destaca por ser um leitor fiel das palavras de Freud. 

Mas Lacan não se contenta em apenas desenvolver a teoria freudiana. Com sua invenção do objeto a, objeto causa do desejo, vemos um Lacan ousando ir além do pai da psicanálise. A partir do Seminário X, ele começa sua jornada de construir uma clínica própria, mais além de Freud. Essa tem como ponto pivô o Seminário XVII, em que começará a renunciar a uma primazia Simbólica para uma desierarquização dos três registros e dando ênfase ao Real para a constituição do sujeito. 

Nosso terceiro paradigma é resultado da concepção de sujeito pelo nó borromeano. Com o nó, Lacan deixa de lado a estruturação do sujeito entre neurose, psicose e perversão, para enfatizar a singularidade que cada sujeito enlaça os registros do Real, Simbólico e Imaginário. Sem descartar suas elaborações anteriores, o nó borromeano traz uma perspectiva para a clínica que considera o inominal do Real e frisa o papel do gozo no sintoma. Sem me alongar muito nos nós, introduzirei a perspectiva de uma psicose sem crise através da leitura lacaniana de James Joyce. Por fim, gostaria de apresentar o conceito formulado por Jacques-Alain Miller de psicoses ordinárias, com o intuito de demonstrar como a psicanálise está em constante atualização e exemplificar um dos funcionamentos possíveis para o sujeito na pós-modernidade.