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Aula completa: Repetição: o que se repete?

O conceito de “repetição” está referido à inércia, àquilo que sempre retorna como “se fosse do nada”. O que o paciente repete, segundo Freud (1914/1987, p. 198), são as “suas inibições, suas atitudes inúteis e seus traços patológicos de caráter. […] Repete também todos os seus sintomas, no decurso do tratamento”. O traçado do conceito da repetição em Lacan segue o mesmo padrão do traçado do conceito de inconsciente, ou seja, pode ser classificado quanto à maior predominância dos registros imaginário, simbólico e real. O que se repete, com efeito, é sempre algo que se produz – a expressão nos diz bastante sua relação com a tique – como por acaso. É no que nós, analistas, não nos deixamos jamais tapear, por princípio. No mínimo, apontamos sempre que não é preciso nos deixarmos pegar quando o sujeito nos diz que aconteceu alguma coisa que, naquele dia, o impediu de realizar sua vontade, isto é, de vir à sessão. Não há que tomar as coisas ao pé da declaração do sujeito – na medida em que aquilo com que precisamente temos de trabalhar é com esse tropeção, esse fisgamento, que reencontramos a todo instante. É este o modo de apreensão por excelência que comanda a nova decifragem que demos das relações do sujeito com o que faz sua condição. (LACAN, 1964, p. 56).

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